Kherian Galvão Cesar Gracher



Sou eu um conjunto de subpartículas elementares estruturadas de modo a formarem partículas, que dispostas de certo modo formam átomos, que por sua vez se estruturam de modo a formarem moléculas, então compostos orgânicos que, por fim, depois de muitas estruturas, formam a mim... Um exemplar da espécie humana?

Ou sou ego, uma psiquê individual dotada de características mentais únicas, consciente de si?

Sou eu um agente moral, dotado de autonomia para suas escolhas - e moralmente responsável por elas?

Ou sou apenas um organismo feito por matéria estelar, vivendo no superaglomerado Laniakea, onde em uma pequena fração encontra-se o superaglomerado de Virgem, lar do aglomerado menor conhecido como "Grupo Local", dentro da galáxia chamada de "Via Láctea", em um pequeno sistema planetário chamado de "Sistema Solar", no terceiro planeta mais próximo de sua única estrela, chamado de "Terra", em uma grande área deste planeta, cercada por água, chamado de "Continente Americano", na subregião chamada "América do Sul", em um país chamado "Brasil", em um estado conhecido por "Santa Catarina" e em uma pequena ilha, chamada de "Florianópolis"?

Não será, pois, que eu sou tudo isso e mais um pouco?

Biografia

N asci no alvorecer do dia 02 de Abril de 1990, sendo, portanto, um quase-mentiroso. Mas se pensarmos que mentira tem "perna curta", com a verdade logo a sucedendo, o dia-da-mentira seria seguido pelo "dia-da-verdade". O que isso significado para mim? Nada. É só um dia mesmo.

Meus pais resolveram me chamar de “Kherian” por um motivo muito especial. A família de meu pai, os Gracher’s, remonta do norte da Alemanha, região essa que há muitos séculos foi invadida por hordas vikings. Conta-se a história, passada de pais para filhos, que um grande guerreiro viking teria dado origem a nossa família. Seus feitos eram tão grandiosos que ele era considerado filho do próprio Thor. Seu nome obteve diversas grafias ao longo dos tempos, que aproximadamente seria “Kherian”. Essa história seria muito bacana para se contar aos amigos, se ela ao menos fosse real.

Ideia de minha avó paterna, meu nome foi uma criação a partir de um antigo jogo de dados, “Parole”, onde em cada face dos dados haviam letras. Após serem rolados, as letras das faces viradas para cima deveriam ser combinadas afim de formar palavras. Eis que minha mãe escolheu “Kherian” de uma lista criada por meu pai e minha avó. Perceba o “h” perdido entre o “k” e o “e”. Não faz muito sentido. Mas é o que é - e eu gosto do meu nome. Sua peculiaridade me permitiu ter diversas contas de e-mail e perfis em redes sociais com meu primeiro nome.

Nomes a parte, desde muito cedo tive a incrível aptidão por fazer merda. Eu era tão desastrado que alguns físicos chegaram a trabalhar com a ideia de que minha cabeça tinha um "campo magnético de algum tipo especial", atraindo os objetos a sua direção. De tanto que a batia, meus pais pensaram que eu ficaria com sequelas. Os médicos disseram que não, mas mãe é mãe e suas intuições são infalíveis: quando mais velho fui estudar Filosofia.

Mas este é um salto na minha história. Não sou filho único (tenho um irmão), mas sou o filho prodígio (não o pródigo, ok?). Isso de acordo com o principal especialista
do assunto: eu! Meu irmão discorda, mas isso só prova que ele não é um grande especialista no assunto e, consequentemente, não é o filho prodígio... Fui criado na cidade de Guaratinguetá, interior de São Paulo. Estudei no Colégio Albert Einstein. Quando novo eu me divertia andando a cavalo e indo para o mato. Um pouco mais velho, divertia-me andando de skate. Na juventude eu fiz parte do grupo Interact – que é um braço juvenil do Rotary Club -, participei por um tempo dos Escoteiros do Ar e também tive banda de metal (sim, pode me imaginar com madeixas loiras no meio das costas e tocando guitarra). Enfim, não posso reclamar da minha infância e juventude.

Em agosto de 2008 entrei na Universidade Federal de Ouro Preto, também conhecida por “UFOP” - e eu achava demais isso, uma vez que “UFOP” também era usado em Star Trek para se referir a Federação Unida dos Planetas [United Federation Of Planets]. Matriculei-me na modalidade bacharel do curso de Filosofia. Apesar de n pesares, foi um período proveitoso academicamente e pessoalmente. Conheci diversos nomes da Filosofia nacional e internacional. Criei laços de amizade que duram até hoje (dentro e fora da universidade).

Com tudo planejado para me graduar no final de 2012 e prestar a seleção de mestrado – para começar em 2013 -, as instituições federais de ensino superior entram em greve. Esta greve poderia atrasar todo o calendário. Com as previsões de retorno das aulas, eu só poderia colar grau depois de março – data esta planejada para matrícula no mestrado, na qual eu deveria apresentar meu diploma de graduado. Enfim, o governo não negociou, a greve durou três meses e, por fim, as previsões foram acertadas: sem mestrado para mim em 2013.

Voltei para o interior de São Paulo nesse ano sabático. Dei aulas em um cursinho pré-vestibular comunitário, escrevi um projeto para o mestrado, escrevi parte de um material didático para a Editora Poliedro e, por fim, prestei a seleção de mestrado. Em 2014 iniciei o mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina. Tornei-me mestre em fevereiro de 2016 e, em março, iniciei o doutorado – que sigo até agora.

Tudo o que eu disse até agora não resume minha vida. Também não diz quem eu sou. Se você realmente quer saber: eu sou eu - e essa resposta não está errada...

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